Palavra do Sesc

Arte que instiga e exaspera
por Danilo Santos de Miranda
Diretor Regional do Sesc São Paulo

Indiferença e conformismo tendem a ocultar certo mal-estar provocado pelas múltiplas demandas da vida contemporânea. Uma forma de chacoalhar esse estado de coisas é promover momentos de suspensão e estranhamento, capazes de cultivar outras possibilidades de ser e estar no mundo. Esses momentos de suspensão podem ser alcançados de diversas maneiras, em especial pelas artes.

Nesse cenário, a liberdade de expressão adquire contornos relevantes ao colocar em xeque um modelo civilizacional afetado por frequentes crises. Essa ideia traz em seu bojo matrizes de superação pela busca de novos campos e oportunidades, por meio da criatividade, da experimentação, da crítica e da reflexão. Nesse terreno não polarizado, indefinido a priori, sobressaem ligações eletivas e afetivas associadas à convivência humana, à noção de transitoriedade e certa tendência para improvisação e tolerância ao erro.

As criações simbólicas nos instigam a convocar outras interfaces e conexões, ao lidar com as subjetividades, abrigar elementos de dúvida e agregar um lugar para novas perguntas e investigações. Desse modo, combinações improváveis podem sugerir aberturas para diálogos horizontais e possibilitar outras ações em rede.

Desde 1992, a parceria do Sesc com a Associação Cultural Videobrasil atua na promoção e difusão dessa singularidade de expressões, e conta com o engajamento de curadores, artistas e pesquisadores de diferentes territórios e culturas identificados com um Sul global. Tal iniciativa visa, ainda, fomentar o encontro de diferentes públicos para debates, trocas de saberes e a fruição cultural como pressupostos para desencadear um processo reflexivo, em deliberada oposição ao conformismo e à indiferença que podem anestesiar os movimentos de transformação social.

Nesse contexto, o Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil | Panoramas do Sul, atualmente em sua décima nona edição, fortalece uma abordagem educativa em torno de questões centrais do mundo contemporâneo, valorizando as perspectivas da arte como elementos fundamentais para a construção de um pensamento crítico.