Keli-Safia Maksud | Quênia

É artista. Agencia objetos e emblemas comuns ao imaginário criado a partir das conturbadas relações históricas entre Europa e África, desvelando clichês subjacentes à concepção de africanidade. Esta é interpretada menos como elemento próprio aos povos desse continente, e mais como um subproduto da expansão mercantil das potências europeias. Partindo desse cenário global,  suas obras recuam a uma dimensão mais pessoal, na qual ganham muitas vezes traços autobiográficos. Expande, por fim, o debate em torno da possível existência de uma identidade africana, questionando até mesmo o conceito de autenticidade. Realiza performances, colagens, esculturas, instalações e vídeos. Graduou-se em Desenho e Pintura na Ontario College of Art and Design, Canadá, em 2007, continuando seus estudos na mesma instituição entre 2012 e 2013. Em 2014, participou das exposições coletivas Weeds, Alucine Latin Film Festival, Bavia Gallery; e Rebel Acts: Performance with La Pocha Nostra, Studio Theatre, ambas em Toronto. Vive e trabalha entre Nairóbi e Toronto.

Mitumba | 2015, instalação

Uma trouxa de tecidos supostamente africanos é lavada em uma tina com sabão e água sanitária. A obra alude ao processo de “branqueamento” de identidades nacionais e à simbologia do sabão no comércio colonial entre África e Europa: anunciado pela publicidade vitoriana como indício da superioridade britânica, ele tomou a forma de uma tecnologia de purificação social, entrelaçada à semiótica do racismo imperial. Produzidos na Holanda, os tecidos são referência de uma identidade africana genérica; mitumba, palavra suaíli para “pacote”, designa também as roupas de segunda mão doadas por países ricos a africanos pobres. Aqui, o tecido ressurge como instrumento de poder, que ajuda a construir – ou dissolver – as identidades africanas contemporâneas.