panoramas do sul | obras selecionadas

  1. Artistas selecionados pelo edital de obras

  2. Ali Cherri | Líbano/França
  3. Aline X e Gustavo Jardim | Brasil
  4. Ana Vaz | Brasil/França
  5. Andres Bedoya | Bolívia
  6. Armando Queiroz | Brasil
  7. Beto Shwafaty | Brasil
  8. Bianca Baldi | África do Sul/Alemanha
  9. Carlos Mélo | Brasil
  10. Chameckilerner | Brasil
  11. Chulayarnnon Siriphol | Tailândia
  12. Clara Ianni | Brasil
  13. Daniel Frota | Brasil/Países Baixos
  14. Daniel Jacoby | Peru/Países Baixos
  15. Daniel Monroy Cuevas | México
  16. Débora Bolsoni | Brasil
  17. Distruktur | Brasil/Alemanha
  18. Dor Guez | Israel
  19. Enrique Ramírez | Chile/França
  20. Felipe Bittencourt | Brasil
  21. Haroon Gunn-Salie | África do Sul
  22. Hui Tao | China
  23. Iosu Aramburu | Peru
  24. João Castilho | Brasil
  25. Karolina Bregula | Polônia
  26. Köken Ergun | Turquia
  27. Kush Badhwar | Índia/Austrália
  28. Leticia Ramos | Brasil
  29. Louise Botkay | Brasil
  30. Luciana Magno | Brasil
  31. Maria Kramar | Rússia
  32. Koutsomichalis, Varela, Psarra | Grécia
  33. Maya Watanabe | Peru/Países Baixos
  34. Michael MacGarry | África do Sul
  35. Mihai Grecu | Romênia/França
  36. Monica Rodriguez | Porto Rico/EUA
  37. Pablo Lobato | Brasil
  38. Paulo Nazareth | Brasil
  39. Paulo Nimer Pjota | Brasil
  40. Pilar Mata Dupont | Austrália
  41. Rafael RG | Brasil
  42. Roberto Santaguida | Canadá/Sérvia
  43. Rodolpho Parigi | Brasil
  44. Rodrigo Cass | Brasil
  45. Roy Dib | Líbano
  46. Runo Lagomarsino | Suécia/Brasil
  47. Slinko | Ucrânia/EUA
  48. Solon Ribeiro | Brasil
  49. Tatiana Fuentes Sadowski | Peru/França
  50. Taus Makhacheva | Rússia
  51. Tiécoura N'Daou | Mali
  52. Vera Chaves Barcellos | Brasil
  53. Viktorija Rybakova | Lituânia/México
  54. Waléria Américo | Brasil

Vídeos, instalações, performances, fotografias, obras sonoras e esculturas compõem um panorama das visões de mundo e das questões que mobilizam, hoje, artistas de diferentes regiões do Sul geopolítico. Selecionadas a partir das respostas a uma convocatória aberta, elas desenham ora um cenário de crise, no qual se mostra urgente enfrentar questões políticas e sociais, ora um ambiente pós-utópico, para além da presença humana, ora as possibilidades de um novo engajamento do sujeito no mundo.

Statement da curadoria

Diante de grandes mudanças globais que indicam uma dinâmica de transferência de poder de norte para sul e de oeste para leste, com países ditos periféricos amealhando poder político, e o colapso econômico ameaçando regiões tradicionalmente hegemônicas, em que medida ainda faz sentido falarmos em um Sul geopolítico?

Sem corresponder a uma série facilmente identificável de situações políticas, sociais, históricas e econômicas, o Sul global se reafirma como território imaginado, a partir do qual se tenta criar outra forma de produzir discursos sobre nosso mundo, que não passe pelas modalidades hegemônicas identificadas com o ocidente.

No contexto da arte contemporânea, os países desse eixo simbólico estão habitualmente ausentes das grandes narrativas consideradas fundadoras das práticas artísticas atuais. A circulação das contranarrativas que produzem enfrenta uma resistência histórica.

A seleção reunida aqui aponta questões que animam e movem, hoje, a produção artística do Sul. As obras selecionadas desenham três grandes cenários. O primeiro poderia ser definido pelo acirramento da ideia de crise. Enfrentar questões políticas e sociais – manifestas, sobretudo, na condição do sujeito e em sua relação com o outro – torna-se urgente.

Outras obras investigam um ambiente pós-utópico, para além da presença humana. O sujeito está ausente ou tornado objeto, as paisagens são desoladoras, e a relação com o tempo é ambígua. Narrativas históricas sobrepõem-se em camadas muitas vezes indistintas.

Um terceiro movimento anuncia possibilidades para um novo engajamento do sujeito no mundo. São diversas as obras que tratam da conexão do homem e da natureza, ou da natureza como um grande sistema de poder. O artista, aqui, atua de maneira performativa, colocando-se como agente desse entrelaçamento.

Entre obras em diferentes suportes e mídias, o vídeo e o filme aparecem como dispositivos relevantes em número e qualidade de proposições. Produzir imagem, em movimento ou não, instalada no espaço expositivo ou como proposta imersiva de cinema, segue sendo uma estratégia-chave para nosso tempo e nossa região.