Cristiano Lenhardt | Brasil

É artista. Transita entre a ação pública e a intimidade dos processos de desenho e gravura. Seus trabalhos questionam os limites da realidade comumente aceitos, confrontando-os criticamente com outras possibilidades de existência. Nesse embate, intenta um reencantamento dos sentidos do espectador, sobretudo da visão. Sua obra é composta por uma miríade de elementos textuais, visuais e sonoros, articulados em vídeos, escritos, desenhos, objetos e instalações. Formou-se em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Brasil, no ano 2000, prosseguindo sua formação no Torreão, espaço de arte independente na cidade de Porto Alegre, entre 2001 e 2003. Nos anos 2000, ao lado de outros artistas gaúchos, fez parte do coletivo Laranjas, atuante no circuito alternativo que se delineou pelas capitais brasileiras e em suas conexões com o exterior. Entre as participações em exposições coletivas estão Cruzamentos: Contemporary Art in Brazil, Wexner Center for the Arts (Ohio, 2014); Da próxima vez eu fazia tudo diferente, Pivô (São Paulo, 2012); Rumos Visuais Itaú Cultural (São Paulo, 2012); Mythologies – Cité Internationale des Arts (Paris, 2011); 7ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul (Porto Alegre, 2009); e Constructing Views, New Museum (Nova York, 2010). Entre as mostras individuais estão Matéria Superordinária Abundante, Galeria Amparo (Recife, 2014) e Litomorfose, Galpão Fortes Vilaça (São Paulo, 2014). Nos últimos anos, participou de alguns programas de residência, como Phosphorus (São Paulo, 2013), Gasworks (Londres, 2013) e Made in Mirrors Foundation (Guangzhou, China, 2011). Adotou a cidade do Recife, Brasil, como seu lugar de trabalho e residência.

Superquadra-Sací | 2015, vídeo

Com imagens capturadas em diferentes cenários brasileiros, a obra cria uma cidade/paisagem contínua, na qual personagens fantásticas representam uma alegoria da história. Grupos distintos coexistem em uma dimensão desclassificada; Jussaras e Guaracys aceitam seus santos e emanam suas bênçãos ao seguir seus impulsos sexo-sonoros. O título sublinha a oposição entre as superquadras (unidade urbanística residencial de Brasília que evoca o ápice do racionalismo modernista) e o saci, personagem folclórico surgido no século 18 e associado à desordem e ao irracional. Uma reflexão poética sobre uma utopia fantástica surgida do fracasso da utopia moderna.